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Eleições no Peru: Sánchez lidera apuração presidencial com 93,9% das urnas

BeeNews 08/06/2026 | 15:25 | Brasília
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A disputa pela presidência do Peru segue em um cenário de intensa indefinição, com o candidato de esquerda Roberto Sánchez Palomino superando numericamente a direitista Keiko Fujimori. Com 93,9% das urnas apuradas, Sánchez registra uma leve vantagem, marcando 50,008% dos votos contra 49,992% de Fujimori. Essa virada ocorreu após Sánchez iniciar a contagem atrás da adversária, diminuindo a diferença gradualmente até assumir a liderança.

Os números atuais indicam que Sánchez contabiliza 8.790.560 votos, enquanto Keiko Fujimori detém 8.787.618. A margem de apenas 4,9 mil votos em um universo de 27 milhões de eleitores aptos a votar mantém o resultado em aberto. A Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru informou que, das 92 mil urnas existentes, aproximadamente 4,6 mil ainda aguardam apuração, o que alimenta a expectativa de ambos os lados.

Avanço da apuração nas eleições peruanas e a margem mínima

A apuração dos votos nas eleições peruanas tem sido marcada por uma disputa voto a voto, refletindo a polarização política do país. A lentidão na consolidação dos resultados finais é atribuída, em parte, à complexidade do processo de contagem e à localização das urnas restantes. Especialistas apontam que a indefinição persiste devido à natureza das atas ainda não processadas.

Segundo o professor de pós-graduação de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Menon, as atas pendentes incluem votos do exterior, que historicamente tendem a favorecer Fujimori, e da região serrana do país, onde Sánchez possui forte apoio. Essa distribuição geográfica dos votos restantes mantém a imprevisibilidade sobre o desfecho final da corrida presidencial, com cada região podendo influenciar decisivamente o resultado.

Contexto geopolítico e as implicações regionais

A eleição presidencial no Peru transcende as fronteiras nacionais, com seu resultado sendo considerado crucial para a correlação de forças na América do Sul. A vitória de Keiko Fujimori, por exemplo, poderia sinalizar uma aproximação mais acentuada do Peru com os Estados Unidos, especialmente sob a influência de governos como o de Donald Trump. Essa aliança poderia se manifestar em políticas de combate a crimes transnacionais e na classificação de grupos peruanos como terroristas.

O especialista Gustavo Menon ressalta que o Peru é um país estratégico, com recursos naturais cobiçados pelos EUA e uma crescente conexão com investimentos chineses, dada sua posição no Pacífico. A disputa eleitoral, portanto, é vista como um reflexo das tensões geopolíticas e dos interesses internacionais sobre a região, com implicações para o equilíbrio de poder no continente.

Perfis dos candidatos e a instabilidade política

Os dois candidatos que disputam o mandato presidencial para o período de 2026 a 2031 representam visões políticas distintas e carregam consigo históricos complexos. O vencedor será o nono presidente do Peru em uma década, um período marcado por profunda crise política e instabilidade. Desde 2016, o país viu dois presidentes renunciarem e quatro serem destituídos pelo parlamento, que é frequentemente descrito como o poder de fato na nação andina.

Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), carrega o peso do legado paterno, que inclui condenações por violações de direitos humanos, como a esterilização forçada de mulheres indígenas. Ela já enfrentou a derrota no segundo turno em três eleições anteriores: em 2011, 2016 e 2021. Do outro lado, Roberto Sánchez é um aliado do ex-presidente Pedro Castillo, que foi destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima de um golpe legislativo por representar o voto rural e indígena do país.

Psicólogo de formação e deputado federal pelo partido Todos pelo Peru, Sánchez atuou como ministro no governo de Castillo. Após votar em Lima, ele se dirigiu ao presídio de Barbadillo, onde Castillo está detido, permanecendo no local até a divulgação dos primeiros resultados parciais, demonstrando sua lealdade e conexão com a base de apoio de seu antecessor.

Ajustes programáticos e as propostas em debate

Após terminar o primeiro turno com 12% dos votos, contra 17% de Keiko Fujimori, Roberto Sánchez adotou uma postura de moderação em seu discurso e ajustou sua plataforma eleitoral. Essa estratégia visou incorporar propostas de outras legendas que passaram a lhe oferecer apoio, buscando ampliar sua base eleitoral e atrair eleitores de centro.

Nesse contexto, Sánchez renunciou à sua proposta inicial de nacionalizar empresas de setores estratégicos da economia, uma medida que poderia gerar apreensão no mercado e entre investidores. Contudo, ele manteve a promessa de convocar uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova Constituição, visando substituir a atual, que é vista por muitos como uma herança do período fujimorista. Além disso, Sánchez preservou parte de seu programa original, especialmente a proposta de reforma trabalhista, que busca ampliar direitos e formalizar trabalhadores que hoje atuam na informalidade. Para mais detalhes sobre a apuração, consulte a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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