O Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) anunciou uma significativa mudança em sua gestão financeira, com o objetivo de fortalecer o pagamento de aposentadorias e pensões. A autarquia divulgou que recursos excedentes de seu fundo administrativo serão agora destinados diretamente aos benefícios previdenciários. Além dessa realocação, a instituição adotará uma abordagem mais cautelosa e conservadora em suas estratégias de investimento.
A medida surge em um momento de escrutínio sobre a gestão de fundos previdenciários estaduais, especialmente após a Rioprevidência ter sido mencionada em investigações relacionadas a aportes bilionários em letras de crédito. A nova diretriz busca garantir maior segurança e liquidez para os recursos que sustentam os pagamentos dos servidores públicos estaduais.
Nova estratégia para o custeio de benefícios
A diretoria executiva do Rioprevidência aprovou, no último dia 2, uma nova regra que estabelece a destinação de valores excedentes do Fundo Administrativo para o pagamento de aposentadorias e pensões. De acordo com a autarquia, ao final de cada mês, os montantes que superarem 150% das despesas administrativas dos 12 meses anteriores serão automaticamente revertidos para a quitação dos benefícios.
Essa iniciativa visa não apenas reforçar a capacidade de pagamento do instituto, mas também funcionar como um mecanismo de limitação das despesas futuras, conforme destacou o diretor-presidente, Felipe Derbli. A expectativa é que, até o final deste ano, aproximadamente R$ 100 milhões sejam direcionados para essa nova finalidade. A regra ainda será submetida à aprovação do Conselho de Administração do Rioprevidência, em sessão ordinária agendada para o final de junho.
Critérios mais conservadores em investimentos
Paralelamente à realocação de recursos, a diretoria executiva do Rioprevidência decidiu implementar critérios mais rigorosos para os investimentos do Fundo Administrativo. A partir de agora, as aplicações seguirão uma política mais conservadora, priorizando o curto prazo e a alta liquidez. O principal objetivo é assegurar maior proteção aos recursos do fundo, evitando exposições a investimentos de maior risco.
Felipe Derbli enfatizou a importância dessa mudança, afirmando que “não há sentido em submeter os recursos do custeio administrativo do Rioprevidência a investimentos de longo prazo, naturalmente mais arriscados”. A medida reflete um esforço para blindar o patrimônio da autarquia contra volatilidades e garantir a estabilidade necessária para o cumprimento de suas obrigações previdenciárias.
Contexto das investigações no Caso Master
A decisão de adotar uma gestão mais conservadora e transparente ocorre em um cenário de investigações sobre a Rioprevidência. Em 26 de maio, a Polícia Federal deflagrou a oitava fase da Operação Compliance Zero, que apura o suposto envolvimento do ex-governador Cláudio Castro em aplicações irregulares de fundos previdenciários estaduais. A investigação foca em aportes de cerca de R$ 3 bilhões em Letras de Crédito e fundos do Banco Master.
Relatórios parciais da PF indicam que, entre outubro de 2023 e julho de 2024, a Rioprevidência teria realizado aportes de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Posteriormente, de dezembro de 2024 a outubro de 2025, foram feitos novos aportes, totalizando R$ 2,01 bilhões, em fundos estruturados pelo mesmo grupo financeiro. Essas informações foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do Caso Master. Acesse mais detalhes sobre as investigações.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
