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Etanol na gasolina: proposta de 32% busca segurança energética e descarbonização

BeeNews 09/06/2026 | 17:36 | Brasília
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O governo brasileiro anunciou nesta terça-feira uma proposta significativa para o setor de combustíveis, visando elevar a mistura de etanol anidro na gasolina dos atuais 30% para até 32%. A iniciativa, que será submetida ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para avaliação nos próximos 15 dias, representa um passo estratégico para o país em direção à descarbonização, segurança energética e fortalecimento da economia nacional. O anúncio foi feito após uma reunião no Palácio do Planalto, que contou com a presença do presidente da república, ministros de Estado e importantes lideranças do setor de biocombustíveis.

Proposta de Elevação do Etanol na Gasolina e Seus Fundamentos

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, detalhou a intenção de submeter a proposta ao CNPE, atendendo a uma demanda expressa pelo setor de biocombustíveis. A medida se insere na agenda governamental de descarbonização e busca por maior segurança energética para o Brasil. Ela é impulsionada, em grande parte, pela Lei Combustível do Futuro, legislação que incentiva a produção e o uso de fontes de energia mais sustentáveis.

O ministro ressaltou que, embora estudos técnicos indiquem a possibilidade de se chegar a uma mistura de até 35% (E35), a proposta atual para 32% (E32) é o limite seguro e tecnicamente validado para o avanço imediato. A decisão reflete um consenso entre as partes envolvidas, priorizando a estabilidade e a eficácia da transição. Este aumento na proporção de etanol na gasolina é visto como um pilar para o desenvolvimento nacional.

Benefícios Econômicos e Ambientais da Nova Mistura

A elevação da mistura de etanol na gasolina promete uma série de benefícios tangíveis para o país. Economicamente, o ministro Alexandre Silveira estimou uma redução na dependência externa, com uma economia projetada de 450 milhões de litros de gasolina importada. Essa medida contribui diretamente para a modicidade nos preços dos combustíveis e minimiza os impactos das oscilações do mercado internacional, frequentemente causadas por conflitos geopolíticos.

Representantes da indústria de biocombustíveis, que participaram do encontro, reforçaram o papel do etanol na estabilidade dos preços ao consumidor. O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi, destacou que o litro do etanol custa, em média, R$ 2,40 menos que o da gasolina. Ele explicou que um aumento de 2% na mistura resultará em uma redução equivalente para o consumidor final. Gussi também mencionou que, nos últimos três meses, a diferença de preço entre os combustíveis gerou uma economia de cerca de R$ 2 bilhões para os consumidores e evitou um gasto de R$ 8 bilhões com importações de gasolina.

Além dos ganhos econômicos, a medida reforça o compromisso do Brasil com a descarbonização de sua matriz energética. O incentivo ao uso de biocombustíveis é fundamental para a redução das emissões de gases de efeito estufa, alinhando o país às metas ambientais globais e promovendo um desenvolvimento mais sustentável.

Viabilidade Técnica e Capacidade de Produção de Etanol

Um dos pontos cruciais debatidos foi a viabilidade técnica da nova composição do combustível e seu impacto nos motores dos veículos. Evandro Gussi, da Unica, garantiu que a mudança é tecnicamente viável. Ele salientou que a mistura de 32% já foi testada com sucesso em ocasiões anteriores, inclusive quando o percentual foi elevado para 30% em junho do ano passado. Essa experiência prévia confere segurança à transição proposta.

Quanto à capacidade de fornecimento, o presidente da Bioenergia Brasil, Mário Campos, assegurou que o setor está preparado para atender à demanda crescente por etanol anidro. Ele atribuiu essa capacidade às políticas públicas estruturadas nos últimos anos, que impulsionaram a produção. Para o ano corrente, Campos projeta um acréscimo de mais de 4 bilhões de litros de etanol na produção nacional. Essa expansão garante que o aumento da mistura não comprometerá o abastecimento, mas sim criará novas oportunidades para o agronegócio e a indústria.

Campos enfatizou que este é um momento oportuno para o Brasil aprofundar a descarbonização de sua matriz de transporte. Para o consumidor, a opção pelo etanol, que se mantém mais barato que a gasolina em diversas regiões, representa uma vantagem econômica significativa, incentivando o uso da tecnologia flex-fuel presente nos veículos.

Perspectivas para o Futuro Energético Brasileiro

A proposta de elevar a mistura de etanol na gasolina para 32% reflete uma visão estratégica do governo para o futuro energético do Brasil. Ao conciliar a demanda do setor produtivo com os objetivos de segurança energética, modicidade de preços e descarbonização, o país busca fortalecer sua autonomia, impulsionar o desenvolvimento econômico e gerar mais empregos e renda. A medida, agora sob análise do CNPE, sinaliza um avanço importante na consolidação do Brasil como líder em soluções de energia sustentável.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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