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Poupança registra entrada líquida em maio após período de saques, aponta Banco Central

BeeNews 09/06/2026 | 11:36 | Brasília
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A caderneta de poupança brasileira registrou um saldo positivo em maio deste ano, marcando um ponto de virada após um longo período de retiradas líquidas. Pela primeira vez em 2026, os depósitos superaram os saques, resultando em uma entrada líquida de R$ 2,6 bilhões. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (9), indicando uma mudança na dinâmica de um dos investimentos mais tradicionais do país.

Este resultado contrasta com a tendência observada nos últimos anos, quando a poupança acumulou saídas significativas. A reversão em maio pode sinalizar uma nova fase para a aplicação, que historicamente atrai milhões de brasileiros pela sua simplicidade e segurança, mas que vinha perdendo atratividade frente a outras opções de investimento.

Retomada dos depósitos na poupança: R$ 2,6 bilhões em maio

No mês de maio, o volume total de recursos aplicados na poupança alcançou R$ 368,4 bilhões, enquanto os saques somaram R$ 365,8 bilhões. Essa diferença gerou a entrada líquida de R$ 2,6 bilhões, um dado que se destaca no cenário econômico atual. Além disso, os rendimentos creditados nas contas de poupança contribuíram com R$ 6,2 bilhões, elevando o saldo total da caderneta para pouco mais de R$ 1 trilhão.

A entrada líquida em maio representa um alívio para a poupança, que vinha enfrentando desafios para manter a captação de recursos. O desempenho positivo do mês passado é um indicativo de que, mesmo em um ambiente de investimentos mais diversificado, a caderneta ainda possui um papel relevante na gestão financeira de muitos cidadãos.

Histórico de saques e o impacto da Selic elevada

Apesar do resultado positivo de maio, o acumulado dos primeiros cinco meses de 2026 ainda registra R$ 39,1 bilhões em retiradas líquidas. Este cenário reflete uma tendência de saques observada nos anos anteriores, com retiradas líquidas de R$ 87,8 bilhões em 2023 e R$ 15,5 bilhões em 2024. No ano passado, o saldo negativo da poupança atingiu R$ 85,6 bilhões, evidenciando a desvalorização da aplicação em períodos de juros altos.

Uma das principais razões para a fuga de recursos da poupança foi a manutenção da Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia, em patamares elevados. Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. Juros altos tornam outras aplicações financeiras, como títulos públicos e fundos de renda fixa, mais atrativas, pois oferecem rentabilidades superiores às da poupança.

Corte na taxa Selic e a dinâmica da inflação

Em sua última reunião, realizada em abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,5% ao ano. Este foi o segundo corte consecutivo na taxa básica de juros, marcando o início de um ciclo de flexibilização monetária. A decisão foi tomada apesar das tensões geopolíticas no Oriente Médio e das expectativas de alta da inflação, com o BC adotando uma postura cautelosa.

A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação e garantir que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a referência oficial da inflação no país, atinja a meta de 3%. Quando a taxa de juros é elevada, o objetivo é desaquecer a demanda, encarecer o crédito e, teoricamente, estimular a poupança. No entanto, a rentabilidade fixa da caderneta de poupança muitas vezes não acompanha a atratividade de outros investimentos em cenários de Selic alta.

Perspectivas para a poupança e o cenário econômico

Em abril, a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, fechou em 0,67%, impulsionada principalmente pelos preços dos alimentos. O IPCA acumulado nos últimos 12 meses ficou em 4,39%, mantendo-se dentro do teto da meta de inflação estabelecida. A expectativa para a inflação de maio será divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na próxima sexta-feira (12).

A recuperação da poupança em maio pode ser um reflexo da estabilização econômica e da confiança dos poupadores. Embora a Selic ainda esteja em um patamar elevado, a expectativa de novos cortes nos juros pode influenciar a decisão de investimento dos brasileiros. O desempenho futuro da poupança dependerá da continuidade do ciclo de redução da Selic e da percepção de estabilidade econômica, que pode incentivar a manutenção e o aumento dos depósitos. Para mais informações sobre as decisões do Copom, clique aqui.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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