As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram uma queda de 14% em maio, comparado ao mesmo período de 2025, conforme dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Este recuo mantém uma tendência observada desde agosto do ano passado, quando tarifas comerciais impostas pelo governo estadunidense entraram em vigor, impactando o fluxo de bens entre os dois países. Apesar dos números, o Mdic adota uma postura cautelosa, indicando que a situação ainda não configura uma alteração estrutural profunda nas relações comerciais bilaterais.
A análise dos dados revela um cenário de adaptação do comércio exterior brasileiro diante das novas condições de mercado. Enquanto a redução nas vendas para o mercado estadunidense persiste, há indícios de que o ritmo dessa desaceleração tem diminuído nos últimos meses, sugerindo uma possível estabilização ou reajuste gradual das cadeias de suprimentos e dos destinos de produtos nacionais.
Recuo nas exportações para os Estados Unidos persiste em maio
Os números detalhados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Mdic mostram que o comércio bilateral com os Estados Unidos perdeu força em maio. As exportações brasileiras para o país somaram US$ 3,09 bilhões, representando uma retração de 14%. As importações dos Estados Unidos também apresentaram declínio, caindo 11% e totalizando US$ 3,21 bilhões. Esse movimento resultou em um déficit comercial de US$ 121 milhões para o Brasil no mês.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, de janeiro a maio, o cenário de retração é ainda mais evidente. As exportações alcançaram US$ 14,01 bilhões, uma queda de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. As importações, por sua vez, somaram US$ 15,48 bilhões, com uma redução de 12,6%. O déficit comercial acumulado no período atingiu US$ 1,47 bilhão. A participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira diminuiu de 12% em maio de 2025 para 9,7% em maio deste ano, refletindo a mudança na dinâmica do comércio.
Análise do Mdic sobre a dinâmica comercial
O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic ressaltou que, apesar da queda nas exportações, é prematuro concluir que houve uma mudança estrutural na relação comercial entre os dois países. Segundo ele, os fluxos no comércio exterior demandam tempo para se adaptar, e o impacto varia conforme a composição da pauta. Bens sob encomenda, por exemplo, podem sofrer choques maiores, enquanto commodities e alimentos, que representam grande parte da pauta com os Estados Unidos (como petróleo, celulose, combustível, carne e café), tendem a ser mais resilientes.
Foi destacado também que o ritmo de redução das exportações para os Estados Unidos tem se arrefecido nos últimos meses. Após uma queda de 35% em outubro do ano passado, a maior registrada, as reduções foram de 26% em janeiro, 20% em fevereiro, 10% em março e 10% em abril, antes de atingir 14% em maio. Essa desaceleração sugere que o comércio pode estar encontrando um novo patamar ou se adaptando gradualmente às condições impostas pelas tarifas.
China se consolida como principal parceiro comercial
Em contraste com a retração das exportações para os Estados Unidos, a China ampliou sua posição como o principal destino dos produtos brasileiros. Em maio, as vendas para o país asiático cresceram 9,5%, atingindo US$ 10,5 bilhões. As importações da China também avançaram significativamente, com um aumento de 24,2%, totalizando US$ 6,8 bilhões. Esse intercâmbio resultou em um superávit comercial de US$ 3,7 bilhões para o Brasil no mês.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a China demonstrou ainda mais sua importância. As exportações para o gigante asiático somaram US$ 43,26 bilhões, um crescimento expressivo de 21,8%. As importações foram de US$ 30,76 bilhões, com aumento de 4,1%, gerando um superávit acumulado de US$ 15,5 bilhões. A participação chinesa na pauta exportadora brasileira cresceu de 32,1% para 32,9% no período, reforçando a dependência e a força dessa parceria comercial.
Petróleo e commodities impulsionam balança geral
O diretor do Mdic também atribuiu ao conflito no Oriente Médio o forte avanço das exportações de combustíveis derivados de petróleo pela indústria de transformação. Os choques de oferta globais, decorrentes da situação geopolítica, elevaram os preços internacionais e impulsionaram o valor exportado pelo Brasil. Em maio, as exportações de óleos combustíveis cresceram 75,2% em volume e 49,8% em valor.
Por outro lado, as exportações de petróleo bruto registraram uma queda de 9,3% em valor e 42,1% no volume embarcado em maio, na comparação com o mesmo mês do ano passado. No entanto, esse movimento é considerado pontual e não está relacionado ao imposto de exportação criado pelo governo para o produto. O Brasil mantém sua competitividade no setor, e os investimentos continuam, como exemplificado pela entrada em operação de uma nova plataforma de produção de petróleo em fevereiro deste ano. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que o país segue como um player relevante.
No balanço geral, o Brasil acumulou um superávit comercial de US$ 32,662 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, um valor superior aos US$ 24,33 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Este resultado positivo foi impulsionado principalmente pelo aumento das exportações para a China e pelo desempenho robusto de produtos ligados ao setor de energia e commodities, que se beneficiaram de um cenário de preços elevados no mercado internacional.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
