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O fracasso do ambicioso projeto chinês para dominar o futebol mundial

BeeNews 10/06/2026 | 22:37 | Brasília
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A ausência da China na Copa do Mundo de 2026, que tem início nesta quinta-feira (11), evidencia um hiato que transcende o campo esportivo. Enquanto o país consolida sua posição como a segunda maior economia global, o futebol chinês permanece estagnado, longe de atingir o patamar de potência que o governo de Xi Jinping projetou há pouco mais de uma década. A trajetória do país em mundiais masculinos segue limitada a uma única participação, em 2002, marcada por derrotas e pela ausência de gols.

A estratégia política e o declínio das metas

Em 2011, antes de assumir o comando do regime, Xi Jinping estabeleceu três metas ambiciosas: classificar a seleção masculina, sediar o torneio e conquistar o título mundial. Para viabilizar esse plano, a Associação Chinesa de Futebol lançou, em 2016, um projeto massivo que previa a construção de 70 mil campos e a inserção de 30 milhões de crianças na prática esportiva até 2020. Contudo, os resultados práticos ficaram distantes das projeções oficiais.

Relatos da CNN apontam que a China conta hoje com cerca de 980 mil jogadores registrados, um número modesto se comparado a nações com populações significativamente menores, como a Inglaterra. Além disso, o futebol não figura entre as seis modalidades mais populares do país, sendo superado por esportes como badminton e ciclismo.

Investimento desenfreado e a crise imobiliária

A partir de 2015, a Superliga Chinesa tornou-se um destino atraente para astros e técnicos renomados, impulsionada por bilhões de dólares. O objetivo, contudo, revelou-se menos esportivo e mais estratégico: grandes incorporadoras imobiliárias utilizavam o futebol para estreitar relações com o governo e obter vantagens econômicas, como empréstimos e terrenos. Com a crise no setor imobiliário, o modelo ruiu.

O colapso da gigante Evergrande simbolizou o fim de uma era. O clube Guangzhou Evergrande, outrora octacampeão nacional e bicampeão asiático, foi extinto no início de 2025 após ser impedido de competir devido a dívidas impagáveis. Mais de 40 clubes seguiram o mesmo caminho, encerrando atividades por falta de sustentabilidade financeira.

Corrupção e interferência estatal

O cenário foi agravado por uma onda de escândalos envolvendo manipulação de resultados e apostas ilegais. Em 2024, o ex-jogador e ex-técnico da seleção, Li Tie, foi condenado a 20 anos de prisão por suborno. A punição se estendeu a diversas equipes, com nove clubes iniciando a temporada com pontuação negativa e outros quatro sendo rebaixados por envolvimento em irregularidades.

Especialistas apontam que a tentativa de construir uma cultura futebolística de cima para baixo, ignorando o desenvolvimento orgânico da base, foi o erro central. Segundo o professor Rodolfo Coelho Prates, da PUCPR, o foco em contratações de alto custo em detrimento da formação local impediu que a qualidade da seleção acompanhasse o volume de recursos investidos, tornando o projeto um fracasso estrutural.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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