Damián D. Fossi Salas/Wikimedia Commons )

Corteidh ordena desativação de El Helicoide, notório centro de tortura na Venezuela

BeeNews 11/06/2026 | 08:46 | Brasília
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A Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH) emitiu uma decisão histórica nesta quarta-feira (10), determinando o fechamento do centro de detenção El Helicoide, localizado em Caracas. A instalação é amplamente reconhecida como o principal centro de tortura da Venezuela, e a ordem judicial representa um marco significativo na luta pelos direitos humanos na região.

A determinação da CorteIDH surge no contexto de um processo que responsabilizou o regime venezuelano pela prisão ilegal e tortura do ativista Jorge Rojas Riera. A decisão não apenas busca reparar os danos causados a Rojas e sua família, mas também visa proteger a integridade de todos os indivíduos detidos no complexo, cuja continuidade de funcionamento foi considerada incompatível com as garantias estabelecidas na Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

A Condenação por Tortura no Caso Jorge Rojas Riera

A CorteIDH detalhou que a decisão sobre El Helicoide está intrinsecamente ligada ao caso de Jorge Rojas Riera. O ativista foi detido em 19 de setembro de 2003, na Plaza Francia, no bairro de Altamira, em Caracas, enquanto participava de um protesto pacífico. Agentes da então Diretoria de Serviços de Inteligência e Prevenção (Disip) realizaram a prisão, restringindo sua liberdade de pensamento, expressão e participação política.

Durante sua detenção em El Helicoide, Rojas foi submetido a tortura, atos que, segundo o tribunal, nunca foram devidamente investigados pelas autoridades venezuelanas. A CorteIDH também reconheceu a responsabilidade do Estado pelo profundo sofrimento suportado pela mãe da vítima, Jackeline Riera Pietri, e pela interrupção dos planos de vida de ambos. Rojas foi libertado em 2009, mas o risco agravado à integridade pessoal e às garantias judiciais persiste para outros detidos.

Implicações da Decisão e o Cenário Político Venezuelano

A ordem de fechamento de El Helicoide pela CorteIDH é uma medida drástica que reflete a gravidade das violações de direitos humanos ali cometidas. No entanto, a efetivação dessa decisão enfrenta desafios consideráveis. A Venezuela se retirou do sistema de direitos humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da própria CorteIDH durante os regimes de Hugo Chávez (1999-2013) e Nicolás Maduro (2013-2026), o que levanta dúvidas sobre o cumprimento da sentença.

Apesar da incerteza jurídica, o cenário político venezuelano tem visto algumas movimentações recentes. Desde que Maduro foi capturado numa operação militar dos EUA em Caracas, em janeiro deste ano, o regime de sua sucessora, Delcy Rodríguez, iniciou um processo de libertação de presos políticos. Vários detidos em El Helicoide foram soltos ou transferidos para outras unidades, indicando uma possível, ainda que limitada, resposta às pressões internacionais e internas.

Medidas Adicionais e o Futuro dos Direitos Humanos

Além de determinar o fechamento de El Helicoide, a CorteIDH impôs outras medidas ao Estado venezuelano, visando a reparação e a prevenção de futuras violações. Entre as ordens, incluem-se a reabertura da investigação do caso Rojas Riera, a realização de um ato público de reconhecimento de responsabilidade pelo episódio, e a criação e manutenção de um registro oficial, centralizado e atualizado de denúncias, investigações e medidas adotadas em relação à tortura.

Essas determinações sublinham a necessidade de transparência e responsabilização, elementos cruciais para a reconstrução da confiança nas instituições e para a garantia dos direitos fundamentais na Venezuela. A comunidade internacional e as organizações de direitos humanos continuarão a monitorar de perto a resposta do governo venezuelano a esta decisão, que pode definir precedentes importantes para a proteção de indivíduos em contextos de repressão. Mais informações sobre as decisões da CorteIDH podem ser encontradas em seu site oficial.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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