Pozzebom/ Agência Brasil

Aleida Guevara expressa preocupação com possível invasão dos EUA a Cuba e destaca resistência

BeeNews 15/05/2026 | 08:40 | Brasília
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Em meio a um cenário de crescentes tensões geopolíticas, a médica Aleida Guevara, filha de Che Guevara, figura emblemática da Revolução Cubana, manifestou profunda preocupação com a possibilidade de uma invasão dos Estados Unidos contra Cuba. Durante sua passagem pelo Brasil, Guevara descreveu um sentimento generalizado na ilha de que um ataque americano poderia ocorrer a qualquer momento, impulsionado pelo que ela caracteriza como o comportamento imprevisível do então presidente Donald Trump.

A percepção de risco se intensifica diante do histórico de hostilidades e do recente endurecimento do bloqueio econômico e energético imposto pelos EUA, que já resultou em severas dificuldades para a população cubana. Aleida Guevara enfatiza a resiliência e a unidade do povo cubano frente a essas adversidades, destacando a fidelidade aos princípios revolucionários que moldaram o país.

A percepção de iminente invasão dos EUA a Cuba

Aleida Guevara, com 65 anos, compartilhou a apreensão que permeia Cuba em relação à política externa dos Estados Unidos. Ela descreve a situação como uma constante incerteza, dada a proximidade geográfica com o “império americano” e a imprevisibilidade do líder da época. “Sabemos que podem nos atacar a qualquer momento porque são loucos”, afirmou, expressando a dificuldade em prever as ações de um inimigo que, segundo ela, não segue uma lógica avaliável.

A filha de Che Guevara reitera a prontidão de Cuba para enfrentar qualquer eventualidade, ecoando as palavras de Fidel Castro: “Quando um povo enérgico e viril chora, a injustiça treme”. Essa postura reflete a determinação de não se intimidar diante das ameaças, uma característica histórica da nação caribenha.

O bloqueio econômico e a unidade cubana

O bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas visa, segundo Aleida Guevara, a desestabilizar o governo cubano e incitar a população contra ele. No entanto, ela avalia que essa estratégia tem um efeito contrário, fortalecendo a unidade nacional. “A maioria da população – felizmente – sabe perfeitamente quem é seu inimigo”, declarou.

Guevara observa que até mesmo alguns contrarrevolucionários em Miami, que antes apoiavam a invasão, agora se opõem ao bloqueio ao verem seus próprios familiares em Cuba serem prejudicados pela falta de gasolina e medicamentos. Ela argumenta que a “idiotice” e a “falta de inteligência” dos EUA como inimigos acabam por promover a unidade interna em Cuba. A cultura e a educação do povo cubano, inspiradas em José Martí, são fatores cruciais para que não sejam facilmente manipulados, compreendendo as consequências de uma possível submissão, como observado em nações vizinhas.

Desafios econômicos e a crise energética na ilha

A situação econômica de Cuba é descrita como “muito séria” por Aleida Guevara, especialmente após o endurecimento do bloqueio que impediu o país de receber petróleo por três meses. A falta de combustível paralisa diversas atividades e impacta diretamente a vida dos cidadãos. Embora não haja apagões totais, o fornecimento intermitente de energia se tornou uma realidade, com algumas cidades enfrentando até 72 horas sem eletricidade, o que compromete a conservação de alimentos e a qualidade de vida.

Esses desafios são vistos como parte de uma estratégia maior dos EUA para dissuadir outras nações de seguir um caminho socialista. “O bloqueio é para que nenhum outro país se atreva a virar socialista. Para que sirva de exemplo para as demais nações”, explicou Guevara, ressaltando a dimensão política e ideológica da pressão exercida sobre Cuba. A escassez de recursos, como a falta de combustível, é um reflexo direto das sanções, conforme noticiado anteriormente sobre Cuba ter completado três meses sem receber petróleo.

A Revolução de 1959 e a solidariedade internacional

Aleida Guevara reafirma que a maioria do povo cubano permanece fiel aos princípios da Revolução de 1959, que estabeleceu o primeiro Estado de inspiração socialista na América Latina, desafiando a hegemonia dos EUA na região. Sua visita ao Brasil, para o 4º encontro do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), reforçou a percepção de solidariedade internacional.

Ela destacou o apoio do campesinato brasileiro a Cuba, que ainda identifica a ilha como um “farol de liberdade e dignidade humanas”. Essa solidariedade é vital para Cuba, que, apesar das dificuldades, continua a ser um símbolo de resistência para movimentos sociais e políticos ao redor do mundo. A médica pediatra enfatiza a importância de estar em seu país durante este período de ameaças, demonstrando seu compromisso pessoal com a causa cubana.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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