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Comissão dos EUA alerta para declínio global da liberdade religiosa em 18 nações

BeeNews 06/06/2026 | 08:55 | Brasília
5 min de leitura 840 palavras

Um relatório recente da Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) de 2026 destaca uma preocupante deterioração da liberdade religiosa em diversas partes do mundo. O comissário Stephen Schneck, ao encerrar seu mandato, expressou profunda preocupação com a crescente gravidade das violações contra pessoas de fé, afirmando que a situação está piorando significativamente em comparação com anos anteriores.

A comissão identificou 18 países que, segundo suas análises, deveriam ser designados como “países de preocupação particular” (CPCs), um rótulo atribuído aos governos que mais gravemente violam a liberdade religiosa. Este panorama global sublinha a urgência de ações e a necessidade de atenção contínua a este direito fundamental.

Aumento das violações: o panorama global da liberdade religiosa

O comissário Stephen Schneck, em suas declarações, ressaltou que os problemas relacionados à liberdade religiosa não apenas persistem, mas se agravam. Ele observou que a situação atual é pior do que quando iniciou seu trabalho na comissão e, certamente, mais crítica do que há uma década. Esta avaliação sombria é a base para as recomendações apresentadas no relatório de 2026 da USCIRF.

A designação de “países de preocupação particular” é uma ferramenta crucial para identificar e pressionar governos que falham em proteger a liberdade religiosa de seus cidadãos. A lista da USCIRF serve como um alerta para a comunidade internacional sobre os locais onde a perseguição religiosa é mais severa e sistemática.

Países de preocupação particular: a lista detalhada da USCIRF

O relatório da USCIRF de 2026 incluiu 18 nações em sua lista de recomendação para CPCs. Dentre elas, 12 já haviam sido designadas como CPCs pelo Departamento de Estado dos EUA em dezembro de 2023: Birmânia, China, Cuba, Eritreia, Irã, Nicarágua, Coreia do Norte, Paquistão, Rússia, Arábia Saudita, Tajiquistão e Turcomenistão. A Nigéria, designada em 2025, também permanece na lista.

Além desses, a comissão fez cinco recomendações adicionais para designação como CPCs: Afeganistão, Índia, Líbia, Síria e Vietnã. Essas inclusões refletem a análise aprofundada da USCIRF sobre a deterioração das condições nesses países, mesmo que o Departamento de Estado dos EUA nem sempre siga todas as recomendações.

O desafio da Índia: nacionalismo religioso e implicações geopolíticas

A Índia é um dos países que mais preocupam a USCIRF, sendo considerada entre os piores globalmente em termos de liberdade religiosa, segundo a análise da comissão na última década. Desde 2019 ou 2020, a USCIRF tem solicitado ao governo dos Estados Unidos que designe a Índia como um CPC.

A situação é descrita como “particularmente trágica” devido à reputação democrática da Índia e ao fato de ser berço de diversas religiões. O principal motor dos problemas é o nacionalismo religioso, especialmente o nacionalismo hindu, promovido pelo partido político Bharatiya Janata Party (BJP) do primeiro-ministro Narendra Modi. Há relatos de violência de multidões contra minorias religiosas, muitas vezes permitida ou com impunidade legal sob o controle do governo do BJP. A recusa do Departamento de Estado em designar a Índia como CPC pode estar ligada a razões geopolíticas e comerciais, dada a importância do país na política externa dos EUA e como contraponto à China.

China: repressão abrangente a grupos religiosos e a Igreja Católica

A China continua sendo recomendada pela USCIRF como um CPC, uma designação que o Departamento de Estado dos EUA tem mantido desde 1999. Apesar disso, a comissão expressa grande preocupação com a situação no país, que se agrava continuamente e afeta populações inteiras, como os muçulmanos uigures, os budistas tibetanos e os cristãos.

Até mesmo a Igreja Católica está sob vigilância rigorosa na China. A comissão tem defendido a libertação de prisioneiros políticos, como Jimmy Lai, e de milhões de outros indivíduos dentro do país. A repressão religiosa na China é uma realidade alarmante que exige atenção global e contínua. Acompanhe as notícias sobre liberdade religiosa para mais informações.

Legado e futuro: o compromisso contínuo com a defesa da fé

O fim do mandato de Stephen Schneck na USCIRF, em maio, marca o encerramento de um período de intensa dedicação. Nomeado em junho de 2022, Schneck serviu como presidente da comissão no mandato 2024-2025. Sua carreira, que incluiu mais de 30 anos como filósofo político e professor na Universidade Católica da América, além de papéis em organizações de advocacia, culminou no que ele descreve como o “ápice” de sua trajetória profissional.

Schneck refletiu sobre a dificuldade emocional de seu trabalho, que envolveu o contato com vítimas de violência e refugiados em situações terríveis. No entanto, ele enfatizou a importância de testemunhar essas realidades e a sensação de fazer a diferença, sentindo sua própria fé fortalecida e um chamado para defender a liberdade religiosa, inspirado pelo documento Dignitatis Humanae do Concílio Vaticano II. Mesmo após deixar a USCIRF, Schneck planeja continuar seu trabalho de advocacia através de outras organizações, como a Catholic Climate Covenant e a Catholic Mobilizing Network, mantendo seu compromisso com a justiça social e ambiental.

Fonte: gazetadopovo.com.br

Palavras-chave: advocacia, crença, crise, direitos, governo, internacional, justiça, mundo, política, religião, religiosa, uscirf, liberdade, comissão, schneck, china, índia, preocupação, situação, países
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