Lula reforça compromisso contra crime organizado e busca aliança internacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou enfaticamente que o Brasil está disposto a fazer “qualquer sacrifício” para capturar os líderes do crime organizado, incluindo os chamados “magnatas da corrupção e do narcotráfico”. Essa firme posição será um dos pontos cruciais em sua próxima reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para o mês que vem em Washington.
A declaração foi feita em Seul, na Coreia do Sul, onde Lula cumpre agenda oficial. Ele ressaltou que o objetivo é claro: colocar os criminosos de alta periculosidade atrás das grades, sem medir esforços para alcançar essa meta. O combate ao crime organizado, em suas diversas facetas, tem sido uma prioridade na agenda internacional do presidente.
Lula antecipou que levará consigo uma comitiva de peso para o encontro com Trump, incluindo representantes da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério da Fazenda e Ministério da Justiça. O objetivo é apresentar a expertise brasileira e propor uma parceria sólida e imediata para combater o crime organizado, o narcotráfico e o tráfico de armas.
Parceria estratégica com os EUA contra o crime
Durante entrevista à imprensa na capital sul-coreana, Lula afirmou: “Quando eu for aos Estados Unidos, eu vou levar junto comigo a Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério da Fazenda, o Ministério da Justiça e vou mostrar para ele [Trump] que se ele quiser, de verdade, combater o crime organizado, o narcotráfico, o tráfico de armas, o Brasil será parceiro de primeira hora, porque nós temos expertise nisso com a nossa Polícia Federal”.
Ainda sobre a reunião com Trump, Lula mencionou que a pauta completa está em elaboração, incluindo temas de interesse comum para o Brasil, o multilateralismo e a democracia. O presidente brasileiro reconheceu que Trump também terá seus próprios assuntos para apresentar.
Agenda internacional na Ásia e Oriente Médio
A viagem de Lula pela Ásia começou em 18 de outubro, com passagens pela Índia e Coreia do Sul. Na Coreia do Sul, o presidente também destacou a retomada das negociações para um acordo comercial entre o país e o Mercosul, um processo parado desde 2021. Lula considera essencial discutir o acordo em um momento de debate sobre o unilateralismo global.
Outra prioridade mencionada foi a ampliação do acordo de comércio preferencial entre Mercosul e Índia, visando o livre comércio. De Seul, a comitiva presidencial seguiu para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para um encontro de trabalho com o presidente Mohammed bin Zayed Al Nahyan.
Foco em paz e desenvolvimento, não em conflitos
Questionado sobre a tensão no Oriente Médio, especificamente as ameaças entre Estados Unidos e Irã, Lula reiterou que a reunião com Al Nahyan será voltada para os interesses bilaterais entre Brasil e Emirados Árabes. Ele declarou: “Eu não vou discutir a guerra do Irã, eu não sou representante da ONU, não sou do Conselho de Segurança como membro permanente da ONU. Eu vou discutir a relação comercial e política entre Brasil e os Emirados Árabes. Eu acho que nós não estamos precisando de guerra, estamos precisando de paz, estamos precisando de investimento, desenvolvimento que é isso que vai fazer melhorar a vida do povo”.
A comitiva presidencial embarcou de volta para Brasília ainda nesta terça-feira, encerrando uma intensa jornada de compromissos internacionais. A busca por cooperação em segurança e desenvolvimento econômico marcou a viagem.
