O Peru vive um momento decisivo neste domingo (7), com cerca de 27 milhões de eleitores convocados às urnas para eleger o nono presidente em uma década. O pleito ocorre em meio a um cenário de instabilidade crônica, caracterizado por sucessivas renúncias e destituições parlamentares que fragilizaram a democracia no país vizinho desde 2016.
Disputa entre projetos opostos de nação
O segundo turno coloca frente a frente dois nomes que representam visões distintas para o futuro peruano. De um lado, a candidata de direita Keiko Fujimori, que obteve 17,1% dos votos no primeiro turno, busca capitalizar o legado de seu pai, Alberto Fujimori. Do outro, o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, que alcançou 12,0% na votação inicial, apresenta uma plataforma focada em reformas constitucionais e sociais.
Analistas apontam que a eleição é marcada por uma polarização profunda. Enquanto Keiko enfrenta a rejeição histórica associada ao fujimorismo, Sánchez tenta consolidar o apoio das populações rurais e indígenas, utilizando símbolos que remetem ao ex-presidente Pedro Castillo. A incerteza sobre o resultado é elevada, dado que o comportamento do eleitorado do interior do país permanece como uma variável complexa para as pesquisas de intenção de voto.
Impactos na geopolítica regional
O resultado das urnas terá repercussões imediatas na correlação de forças na América Latina. O continente tem observado um alinhamento crescente com os Estados Unidos, tendência consolidada em nações como Equador, Bolívia, Argentina e Chile. Especialistas avaliam que uma vitória de Keiko Fujimori poderia aprofundar essa aproximação com Washington e com movimentos de extrema-direita na região.
Por outro lado, uma eventual vitória de Roberto Sánchez não deve representar uma ruptura drástica com o cenário internacional. Devido à fragilidade dos governos progressistas na América do Sul e à forte oposição que enfrentará no Congresso, o candidato tende a adotar uma postura pragmática. A prioridade imediata do vencedor será a consolidação do governo frente a um parlamento historicamente hostil ao Poder Executivo.
O peso da crise institucional histórica
O sistema político peruano atravessa uma crise sem precedentes, onde o Parlamento detém o poder de fato. O último presidente a concluir um mandato completo foi Ollanta Humala, entre 2011 e 2016, que posteriormente foi condenado por lavagem de dinheiro envolvendo a empresa Odebrecht. A sucessão de eventos traumáticos, que inclui a prisão de Pedro Castillo e a destituição de Dina Boluarte após protestos violentos, ilustra a fragilidade das instituições.
A instabilidade recente atingiu seu ápice com a queda de José Jerí, destituído pelo Congresso em fevereiro de 2026, abrindo caminho para a gestão interina de José María Balcázar Zelada. Este histórico de instabilidade coloca o próximo eleito diante do desafio monumental de restaurar a governabilidade e a confiança da população nas instituições democráticas do Peru.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
