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Cepeda: o candidato de Petro e as acusações de ligações com as Farc na Colômbia

BeeNews 10/05/2026 | 23:00 | Brasília
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A corrida presidencial na Colômbia, com o primeiro turno agendado para o próximo dia 31, tem como um de seus protagonistas o senador Iván Cepeda. Aos 63 anos, Cepeda é o nome escolhido pelo presidente Gustavo Petro para representar a chapa do Pacto Histórico, um movimento de esquerda que tem liderado as pesquisas de intenção de voto. Sua candidatura, no entanto, é marcada por uma intensa polarização e acusações veementes da oposição, que o vincula a grupos guerrilheiros como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A figura de Cepeda é central no cenário político colombiano, não apenas por sua posição na atual disputa eleitoral, mas também por sua longa trajetória como ativista de direitos humanos e negociador de paz. As controvérsias em torno de sua pessoa, especialmente as alegações de ligações com as Farc, adicionam uma camada de complexidade à já efervescente política do país, moldando o debate público e a percepção dos eleitores.

A Trajetória Política e Acadêmica de Iván Cepeda

Nascido em uma família com forte engajamento político, Iván Cepeda é filho do ex-senador Manuel Cepeda, que foi tragicamente assassinado em 1994. Esse período foi marcado por uma onda de violência que vitimou diversos políticos da extinta União Patriótica (UP), partido de esquerda ao qual seu pai era filiado e que também contava com a adesão de Iván em seus primeiros anos de militância.

Sua formação acadêmica inclui estudos em filosofia na Universidade de São Clemente de Ohrid, localizada em Sofia, na Bulgária. Antes de consolidar sua carreira política, Cepeda dedicou-se ao ensino universitário e à militância ativa na defesa dos direitos humanos, construindo uma base de atuação social que precedeu sua entrada no parlamento colombiano.

Ao longo de sua vida pública, Cepeda passou por diversas legendas de esquerda. Iniciou sua jornada política no Partido Comunista Colombiano e na União Patriótica, para depois integrar a Aliança Democrática M-19, partido que emergiu do grupo guerrilheiro Movimento 19 de Abril (M-19), do qual o atual presidente Gustavo Petro fez parte. Posteriormente, foi membro do Polo Democrático Alternativo, que em 2025 se uniu a outros três partidos de esquerda para formar o Pacto Histórico, sua atual plataforma política.

O Papel de Cepeda nas Negociações de Paz e Alianças

A experiência de Iván Cepeda em negociações de paz é um dos pilares de sua atuação política. Ele desempenhou um papel significativo nas tratativas com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), culminando no histórico acordo de paz assinado em 2016. Além disso, participou de diálogos com o Exército de Libertação Nacional (ELN), demonstrando seu compromisso com a busca por soluções pacíficas para os conflitos internos do país. Para mais informações sobre a política e os desafios da Colômbia, consulte fontes como a BBC News.

Sua carreira parlamentar é robusta, tendo atuado como deputado nacional entre 2010 e 2014. Desde então, ocupa uma cadeira no Senado colombiano, somando 12 anos de experiência legislativa. Essa longevidade no Congresso o posiciona como uma figura influente e com profundo conhecimento das dinâmicas políticas e sociais da Colômbia.

A Intensa Rivalidade com Álvaro Uribe e Acusações Mútuas

A trajetória política de Iván Cepeda é intrinsecamente ligada a uma das mais notórias rivalidades da política colombiana: seu embate com o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010). Este confronto ideológico e pessoal tem sido uma constante, com acusações mútuas que reverberam até os dias atuais e influenciam o debate eleitoral.

Cepeda, por sua vez, tem sido um crítico vocal do governo Uribe, acusando o ex-mandatário conservador de violações de direitos humanos e de manter ligações com grupos paramilitares de direita. Essas denúncias foram parte de uma série de investigações e debates públicos que marcaram a política colombiana por anos.

Em resposta, Uribe acusou o senador de esquerda de ter vínculos com as Farc e suas dissidências. A complexidade dessa disputa se manifestou em um caso judicial notório, onde Uribe foi condenado a 12 anos de prisão por manipulação de testemunhas. Curiosamente, esse processo teve início quando Uribe denunciou Cepeda pela mesma acusação. Embora a condenação de Uribe tenha sido revertida por um tribunal superior, um recurso ainda está em tramitação na Corte Suprema de Justiça da Colômbia, mantendo a tensão jurídica e política entre os dois.

Controvérsias e Defesas: As Alegações de Vínculos com as Farc

As acusações de ligações de Iván Cepeda com as Farc são um ponto central da campanha eleitoral e têm sido reiteradas pela oposição. Em 2020, Álvaro Uribe apresentou um e-mail que, segundo ele, teria sido extraído dos computadores de Raúl Reyes, um ex-integrante do grupo guerrilheiro. Na suposta mensagem, Cepeda era mencionado como um ‘aliado’, o que Uribe utilizou como prova de seus vínculos.

Em sua defesa, Cepeda contestou a validade dessas evidências. Ele argumentou que o conteúdo dos computadores de Reyes não foi devidamente validado pela Justiça colombiana e levantou a possibilidade de que o teor das mensagens pudesse ter sido adulterado por funcionários do governo Uribe, que foram condenados por escutas telefônicas ilegais. Essa linha de defesa aponta para uma possível manipulação de provas no contexto da acirrada disputa política.

No ano passado, as acusações foram reforçadas por Paloma Valencia, candidata do partido Centro Democrático, de Uribe, à presidência. Valencia afirmou ter visto Cepeda conversando com ex-líderes das Farc, como Jesús Santrich. Ela criticou a ‘extrema esquerda’ por, segundo ela, perseguir Uribe e outros líderes, enquanto ‘protegia a Segunda Marquetalia’, uma dissidência das Farc. Valencia chegou a mencionar que Cepeda teria procurado Santrich na prisão, ‘inventando a teoria de uma armadilha’, o que teria permitido a libertação de ‘dois bandidos’ que, em sua visão, deveriam estar presos nos Estados Unidos.

Diante da persistência das acusações, Iván Cepeda prometeu tomar medidas legais contra aqueles que o vincularem às Farc. ‘Não responderei com insultos ou impropérios, mas acredito ser necessário defender minha honra quando isso acontecer’, declarou o senador, sinalizando sua intenção de combater as alegações por meio da Justiça e proteger sua reputação em meio à intensa batalha política.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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