Marcelo Garcia/Palácio de Miraflores/EFE

Presos políticos: Venezuela libera apenas fração do prometido, denuncia ONG

BeeNews 26/05/2026 | 08:27 | Brasília
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A organização não governamental Foro Penal, dedicada ao monitoramento da situação dos detidos por motivos políticos na Venezuela, emitiu uma grave denúncia na última segunda-feira (25). Segundo a entidade, o regime chavista libertou apenas uma pequena parcela das pessoas nessa condição, muito aquém do número prometido na semana anterior.

A controvérsia surge após o governo venezuelano ter anunciado a iminente soltura de centenas de indivíduos, gerando expectativas tanto internamente quanto na comunidade internacional. No entanto, a realidade verificada pela ONG aponta para um cumprimento mínimo dessas promessas, levantando questionamentos sobre a transparência e os reais compromissos do governo em relação aos direitos humanos.

A promessa de libertações e a realidade dos números

De acordo com Alfredo Romero, presidente do Foro Penal, a verificação da ONG indica que apenas 39 presos políticos foram efetivamente libertados desde 18 de maio. Essa data marca o início dos anúncios governamentais, que inicialmente falavam em 300 libertações, número que foi posteriormente ampliado para 500 pela líder do regime chavista, com a promessa de que seriam implementadas nas “próximas horas”.

A discrepância entre o prometido e o realizado é significativa. Enquanto o governo sinalizava uma ampla medida de anistia ou clemência, a contagem da organização revela que a meta ficou muito distante de ser alcançada, especialmente no que tange aos presos políticos.

Casos emblemáticos e o histórico de detenções

Entre os poucos libertados nesta nova leva, destacam-se três ex-policiais da extinta Polícia Metropolitana de Caracas: Héctor Rovaín, Erasmo Bolívar e Luis Molina. Esses indivíduos estavam detidos há 23 anos, sendo considerados os presos políticos há mais tempo encarcerados pelo chavismo, regime que governa a Venezuela desde 1999.

A libertação desses ex-policiais, embora um passo, sublinha a longa duração de algumas detenções e a complexidade do cenário político-judicial no país. A situação desses detentos de longa data é frequentemente utilizada como um barômetro da pressão internacional e da disposição do governo em ceder a demandas por direitos humanos.

Pressão internacional e o fim da Lei de Anistia

O regime chavista tem sido alvo de intensa pressão internacional, notadamente dos Estados Unidos, para a libertação de presos políticos. Desde janeiro, o governo venezuelano tem anunciado a soltura de detentos, especialmente após uma operação militar americana que visava a captura do então ditador Nicolás Maduro.

Em um movimento que parecia indicar uma abertura, uma Lei de Anistia chegou a ser aprovada. Contudo, em abril, a líder do regime chavista declarou que a lei havia “chegado ao fim”, gerando incerteza sobre o futuro de outros detidos. Essa declaração contradiz os anúncios anteriores e complica ainda mais a situação dos que permanecem encarcerados.

O cenário atual dos presos políticos na Venezuela

Desde janeiro, o governo chavista relatou ter anistiado mais de 8,5 mil pessoas. No entanto, o Foro Penal esclarece que a grande maioria desses indivíduos já se encontrava em liberdade condicional, o que distorce a percepção de um amplo processo de libertações de novos casos.

A organização continua a monitorar a situação e afirma que, apesar dos anúncios e das poucas libertações recentes, ainda há 429 presos políticos na Venezuela. A persistência desse número ressalta a continuidade das preocupações com as liberdades civis e os direitos humanos no país. Para mais informações sobre a situação na Venezuela, consulte fontes confiáveis como a BBC News Brasil.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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