O Ministério das Comunicações do Irã anunciou nesta terça-feira (26) que o acesso total à internet no país será restabelecido dentro das próximas 24 horas. A medida encerra um período de 88 dias de bloqueio que afetou a população e gerou preocupações internacionais sobre a liberdade de informação.
A decisão de retomar a conectividade ocorre em um cenário de complexas dinâmicas políticas internas e externas, com o regime de Teerã historicamente utilizando o controle da rede como ferramenta em momentos de crise. O restabelecimento gradual da internet é visto como um passo significativo, mas não isento de controvérsias.
O Anúncio do Fim do Apagão Digital
A informação sobre a retomada do acesso à internet foi divulgada por um funcionário do Ministério das Comunicações à imprensa estatal iraniana, conforme reportado pelo site Iran International. A expectativa é de que o processo seja gradual, seguindo uma ordem emitida pelo presidente Masoud Pezeshkian.
Inicialmente, alguns serviços internacionais e aplicativos de mensagens seriam restaurados em fases subsequentes. Este plano de reabertura progressiva sugere uma cautela por parte das autoridades, possivelmente para monitorar a reação pública e a estabilidade da rede.
Disputas Internas e a Autoridade do Governo
Apesar do anúncio, a decisão de restabelecer a internet gerou questionamentos por parte de veículos de imprensa ligados à Guarda Revolucionária iraniana, conforme noticiado pela agência EFE. Esses veículos puseram em dúvida a autoridade do governo para implementar tal medida.
A agência de notícias Fars, por exemplo, argumentou que as restrições foram impostas pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional. Segundo a Fars, apenas este órgão teria a prerrogativa de reverter o bloqueio. Contudo, é importante notar que o presidente do país também ocupa a posição de chefe desse conselho, o que adiciona uma camada de complexidade à disputa de poder.
Histórico de Restrições e o Cenário Geopolítico
O bloqueio de 88 dias na internet iraniana foi implementado em meio ao conflito do país com os Estados Unidos e Israel. Historicamente, o regime de Teerã tem um padrão de restringir o acesso à rede durante períodos de turbulência ou crise interna, utilizando a atividade online como base para processar cidadãos por acusações de “traição”.
Essa prática de controle da informação digital visa, muitas vezes, conter protestos, limitar a organização de movimentos de oposição e gerenciar a narrativa pública. A interrupção prolongada da conectividade impacta diretamente a vida social, econômica e política dos cidadãos, que dependem da internet para comunicação, trabalho e acesso a informações.
A Liberdade na Rede Sob Análise Internacional
A situação da liberdade na rede no Irã tem sido objeto de escrutínio por organizações internacionais. No levantamento de 2025 da organização sem fins lucrativos americana Freedom House, o Irã foi classificado como um país “não livre” em termos de liberdade na rede, obtendo apenas 13 pontos em uma escala que vai até 100.
A análise da Freedom House detalha as severas limitações impostas pelo regime. No quesito obstáculos ao acesso, o Irã somou oito pontos em 25 possíveis. Em relação às limitações de conteúdo, o país obteve quatro de 35 pontos. Por fim, nas violações dos direitos do usuário, o Irã registrou apenas um ponto em 40 possíveis, indicando um alto grau de agressão aos direitos digitais de seus cidadãos. Mais informações sobre o relatório podem ser encontradas em Freedom House.
Fonte: gazetadopovo.com.br
