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Manifestantes ocupam Avenida Paulista para exigir fim imediato da escala 6×1

BeeNews 25/05/2026 | 19:20 | Brasília
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A Avenida Paulista, em São Paulo, tornou-se palco de uma expressiva mobilização popular na noite desta segunda-feira, 25 de maio de 2026. Manifestantes organizados por sindicatos e movimentos sociais ocuparam uma das principais vias da capital para reivindicar a extinção definitiva da escala de trabalho 6×1, modelo em que o profissional possui apenas um dia de descanso semanal após seis dias consecutivos de labor.

O ato reflete a pressão social sobre o Congresso Nacional em um momento decisivo para a legislação trabalhista brasileira. A concentração começou no final da tarde e ganhou corpo ao longo das horas, reunindo trabalhadores de diversos setores que defendem uma reestruturação profunda nas jornadas de trabalho vigentes no país.

As pautas centrais defendidas pelo movimento concentram-se na redução da carga horária de 44 para 40 horas semanais, com a exigência estrita de que não ocorra redução salarial ou perda de direitos adquiridos. Durante as intervenções em carros de som, lideranças sindicais enfatizaram que a mudança é uma questão de saúde pública e dignidade humana.

Os discursos proferidos durante o evento destacaram a necessidade de garantir ao trabalhador mais tempo para o convívio familiar, o lazer e a qualificação profissional por meio do estudo. Segundo os organizadores, a escala atual é exaustiva e impede o desenvolvimento pleno do cidadão fora do ambiente corporativo.

Acordo parlamentar e a regra de transição de 60 dias

A manifestação ocorre simultaneamente a movimentações políticas importantes em Brasília. Mais cedo, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou um acordo entre o governo federal e a Câmara que estabelece um cronograma para a mudança. O plano prevê um prazo de 60 dias para o fim da escala 6×1 após a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

De acordo com a proposta em análise, o trabalhador passaria a gozar de dois dias de folga semanal já no início desse período de transição. Além disso, a jornada seria reduzida inicialmente de 44 para 42 horas semanais dentro do mesmo prazo. Atualmente, uma Comissão Especial da Câmara analisa o texto, com possibilidade de votação ainda no dia de hoje.

Críticas ao modelo de transição e desigualdade de gênero

Apesar do anúncio oficial do acordo, os grupos presentes na Avenida Paulista expressaram forte descontentamento com os termos da transição. Os manifestantes criticam o que consideram um adiamento desnecessário para a extinção total da escala e apontam a falta de medidas efetivas para apoiar as mulheres trabalhadoras.

O debate na avenida incluiu críticas à invisibilidade da jornada não remunerada do trabalho doméstico, que recai majoritariamente sobre as mulheres. Para os movimentos sociais, a reforma da jornada deve vir acompanhada de políticas que combatam as disparidades de gênero e reconheçam a sobrecarga feminina na sociedade brasileira.

Impacto na mobilidade urbana e segurança pública

O protesto contou com a participação ativa de entidades como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). A diversidade de movimentos presentes reforça o caráter multissetorial da demanda pelo fim da escala 6×1, unindo diferentes frentes de luta social.

A Polícia Militar acompanhou o desenvolvimento do ato desde o início. Devido ao aumento progressivo no número de participantes, diversas faixas da Avenida Paulista foram bloqueadas para o tráfego de veículos, visando garantir a segurança dos manifestantes. Mais detalhes sobre o andamento da votação na Câmara podem ser acompanhados pela Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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