O Ministério Público do Peru solicitou uma pena de prisão de cinco anos e quatro meses para o deputado de esquerda Roberto Sánchez. A medida judicial surge em um momento crucial, pois Sánchez figura como um dos principais candidatos a disputar o segundo turno da eleição presidencial, onde enfrentaria a conservadora Keiko Fujimori. A notícia adiciona uma camada de complexidade ao já conturbado cenário político e eleitoral peruano.
A solicitação do Ministério Público, divulgada por veículos de imprensa locais, como o jornal El Comércio, coloca em xeque a trajetória de Sánchez, que já atuou como ministro no governo de Pedro Castillo. O ex-presidente Castillo foi destituído, preso e condenado após uma tentativa de golpe de Estado entre 2021 e 2022, um período de grande instabilidade na política peruana.
Acusações de irregularidades em doações de campanha
As acusações contra Roberto Sánchez centram-se na suposta prestação de informações falsas ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe). Segundo a investigação, o deputado teria omitido doações de campanha recebidas entre os anos de 2018 e 2020. Os relatórios apresentados por Sánchez à Onpe indicariam que ele não havia recebido contribuições partidárias.
No entanto, a promotoria alega que o político de esquerda teria recebido mais de 200 mil soles, o equivalente a cerca de R$ 285 mil em valores atualizados, em uma conta bancária de seu irmão. Essa discrepância entre os relatórios oficiais e as movimentações financeiras é o cerne da acusação, que busca responsabilizar Sánchez por irregularidades na gestão de fundos eleitorais.
Defesa do candidato e desdobramentos legais
Além da pena de prisão, o Ministério Público do Peru também solicitou a proibição permanente de Roberto Sánchez de exercer a presidência do partido Juntos por el Perú. Essa medida, se acatada, teria um impacto significativo na estrutura e liderança da legenda, que é uma das principais forças de esquerda no país.
Em resposta às acusações, Carlos García, advogado de Sánchez, defendeu seu cliente publicamente. García argumentou que a promotoria não conseguiu apresentar provas concretas de que Sánchez utilizou as contribuições destinadas ao Juntos por el Perú para despesas pessoais. O advogado também ressaltou que o Judiciário já havia rejeitado uma alegação similar, que fazia parte de uma acusação de suposto crime de fraude na administração de pessoa jurídica, indicando um histórico de contestações legais sobre a mesma matéria.
Cenário eleitoral peruano em meio à incerteza
A eleição presidencial no Peru, cujo primeiro turno ocorreu em 12 e 13 de abril, ainda não teve seus resultados finais proclamados. A demora na divulgação oficial dos vencedores é atribuída a uma série de problemas, incluindo a renúncia e prisão de membros da Onpe, a necessidade de recontagem de atas eleitorais e uma ordem judicial para auditoria dos sistemas digitais utilizados no pleito. Essa situação tem gerado um clima de tensão e desconfiança em relação ao processo eleitoral.
Com 99,9% dos votos apurados, os números provisórios indicam que Keiko Fujimori lidera com 17,2% dos votos. Roberto Sánchez aparece em segundo lugar, com 12%, ligeiramente à frente do direitista Rafael López Aliaga, que ostenta 11,9%. Embora a vantagem de Sánchez sobre López Aliaga seja de aproximadamente 18,5 mil votos, com apenas cerca de 20 mil ainda a serem contabilizados, a Justiça eleitoral peruana informou que a proclamação oficial do resultado final só deve ocorrer na próxima sexta-feira (15). Acompanhe mais detalhes sobre o cenário político peruano.
Fonte: gazetadopovo.com.br
