Os Estados Unidos intensificaram sua política de pressão econômica contra Cuba, anunciando novas sanções que atingem diretamente empresas dos setores de mineração e turismo, além de figuras proeminentes do governo cubano, incluindo o presidente Miguel Díaz-Canel. Essas medidas representam um aprofundamento do bloqueio econômico que já perdura por décadas, com o objetivo declarado de forçar uma mudança de regime em Havana. A decisão reflete a postura assertiva da atual administração norte-americana em relação à ilha caribenha.
A ofensiva diplomática e econômica de Washington não se limita a entidades estatais, estendendo-se a indivíduos ligados à liderança cubana. A Casa Branca justifica as ações como parte de um esforço para combater o que descreve como regimes marxistas radicais na região, enquanto Cuba denuncia as sanções como uma intervenção ilegítima e uma ameaça à sua soberania.
A Intensificação das Sanções Americanas e Seus Alvos
O Departamento do Tesouro dos EUA divulgou, nessa quinta-feira (4), a inclusão de novas entidades na lista de organizações sancionadas. Entre elas, destacam-se a Amistur Cuba, uma empresa de turismo de relevância na ilha, e a Minera la Victoria, uma joint venture formada pela companhia de mineração de ouro cubana Geominera em parceria com a australiana Antilles Gold. Essas ações visam estrangular economicamente setores-chave da economia cubana.
No mesmo dia, o então presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que Cuba desejava a intervenção da Casa Branca, afirmando que os Estados Unidos “cuidariam de Cuba depois de terminar com o Irã”. Em um comunicado nas redes sociais, o secretário de Estado Marco Rubio alertou que qualquer pessoa ou entidade que forneça serviços às empresas sancionadas corre o risco de também ser alvo de medidas punitivas. Rubio enfatizou que bancos estrangeiros e outras empresas devem congelar tais atividades, reiterando que a administração norte-americana não tolerará regimes marxistas radicais no hemisfério.
Figuras e Instituições Cubanas Sob Restrição
As sanções não se restringiram a empresas, alcançando diretamente o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, sua esposa, Lis Cuesta Peraza, e seu filho, Manuel Anido Custa. A lista de indivíduos sancionados também inclui membros da família do ex-presidente Raúl Castro, como seu filho Alejandro Castro Espin e seu neto Raul Alejandro Castro Calis, além de outros funcionários ligados ao governo de Havana.
Adicionalmente, outras entidades governamentais e sociais foram alvo das restrições. Entre elas, estão o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) e os Comitês para Defesa da Revolução (CDR). O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos EUA declarou que todas as transações e negociações envolvendo bens ou interesses de pessoas ou entidades designadas são proibidas para cidadãos ou pessoas em trânsito pelos Estados Unidos. Para mais detalhes sobre as sanções, consulte a nota oficial do Departamento de Estado dos EUA.
A Reação de Havana: Críticas e Determinação
Em resposta às novas sanções, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, criticou veementemente as declarações do presidente Trump, classificando-as como uma ameaça direta ao país e às medidas unilaterais que prejudicam a população. Díaz-Canel afirmou que “a agressividade e a perversão do governo ianque colidirão com nossa determinação de enfrentar os piores cenários e resistir ao ataque imperial”, demonstrando a postura de desafio de Havana.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, também se manifestou, destacando que a inclusão de pessoas, empresas e entidades em uma “lista ilegítima” de sanções evidencia um plano de intervenção na ilha. Rodríguez enfatizou que “toda ação dos EUA com o objetivo de criar um cenário de conflito entre os dois países está fadada ao fracasso”, e que qualquer ameaça à independência e soberania cubana será enfrentada com união e determinação pelo povo. Ele ainda desmentiu o secretário de Estado Marco Rubio sobre o bloqueio de petróleo, citando a Ordem Executiva 14380 como prova das intenções de Washington.
Histórico do Bloqueio Econômico e Seus Impactos
O bloqueio econômico imposto a Cuba, que se estende por quase 70 anos, foi endurecido pela atual administração da Casa Branca no final de 2025, especialmente após as restrições navais impostas à Venezuela. Em janeiro de 2026, os EUA ameaçaram sancionar qualquer entidade que vendesse petróleo a Cuba, uma medida que levou o país caribenho a ficar três meses sem receber uma gota de combustível.
As consequências dessas medidas têm sido severas para os 11 milhões de habitantes de Cuba. A população enfrenta um aumento significativo de apagões, a elevação dos preços de produtos básicos, a redução drástica do transporte público e a diminuição da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Moradores de Havana, em relatos à imprensa, descrevem a situação atual como o “pior momento” vivido pelo país em décadas, evidenciando o impacto humanitário das sanções.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
