O Instituto Sou da Paz apresentou uma agenda eleitoral abrangente, intitulada “Brasil em Ação pela Paz – Propostas para uma Segurança Pública de Verdade”, com o objetivo de elevar o nível do debate sobre segurança pública durante o período eleitoral. A iniciativa busca pressionar os candidatos a apresentarem planos consistentes, metas claras e compromissos tangíveis para a redução da violência em todo o país, distanciando-se de abordagens populistas e improvisadas.
A campanha, denominada Vote pela Paz, surge em um cenário onde a população demonstra exaustão com promessas simplistas e frases de efeito na área da segurança. Conforme destacado pela diretora-executiva do Sou da Paz, a sociedade anseia por resultados concretos, proteção no cotidiano e políticas que demonstrem eficácia real. O período eleitoral é visto como uma oportunidade crucial para aprimorar a qualidade dessa discussão vital.
A percepção da população sobre a segurança
Apesar de algumas melhorias em indicadores nacionais, como a queda nos índices de homicídios, o Brasil ainda enfrenta uma realidade alarmante, com dezenas de milhares de mortes violentas anualmente. O cenário é agravado pela expansão do crime organizado, o aumento de fraudes e extorsões digitais, o medo constante de roubos, especialmente de celulares, e a crescente violência direcionada a meninas e mulheres.
Dados de uma pesquisa realizada pelo Sou da Paz, intitulada “O que pensa a população brasileira sobre segurança pública”, revelam que a grande maioria da população, cerca de 94%, reconhece algum grau de violência em sua cidade. Mais da metade dos entrevistados (53%) evita sair à noite, e um terço (31%) adota a medida de não usar o celular na rua como forma de autoproteção. Esses números sublinham a profunda sensação de insegurança que permeia o cotidiano dos cidadãos.
Eixos prioritários para uma segurança eficaz
A agenda de propostas do Sou da Paz é estruturada em cinco eixos prioritários, com ações aplicáveis tanto em nível estadual quanto federal. Essas diretrizes visam abordar os desafios mais prementes da segurança pública de forma integrada e estratégica. Os eixos incluem:
- Proteção de meninas e mulheres;
- Fortalecimento das polícias;
- Enfrentamento ao crime organizado;
- Redução dos roubos;
- Retirada de armas ilegais de circulação.
As propostas detalhadas enfatizam a valorização dos profissionais de segurança, o aprimoramento da investigação criminal, o uso responsável de tecnologias, a integração entre as diversas instituições de segurança e o combate rigoroso ao tráfico de armas. A pesquisa do instituto também indica que 82% das pessoas consideram as câmeras corporais como ferramentas que protegem os bons policiais e geram provas contra criminosos. Além disso, 73% acreditam que mais armas resultam em mais mortes e violência, e 65% defendem que a prioridade não é ter mais policiais, mas sim uma polícia mais qualificada e preparada.
O desafio do crime organizado e suas ramificações
Um dos pontos centrais da agenda é a necessidade de ampliar o foco sobre o crime organizado, que vai além do tráfico de drogas e se manifesta em diversas atividades ilícitas. A diretora-executiva do Sou da Paz ressalta a importância de envolver o sistema financeiro no debate, intensificando a investigação financeira e o combate à lavagem de dinheiro.
Dados compilados na agenda eleitoral revelam que o crime organizado movimentou centenas de bilhões de reais nos últimos anos, englobando atividades como a venda ilegal de combustíveis, garimpo ilegal e contrabando de cigarros e bebidas. Além de impactar diretamente os territórios, o crime organizado representa uma ameaça ao Estado Democrático de Direito, infiltrando-se na administração pública e na política, o que gera violência e mina a confiança da população nas instituições. A agenda aponta um crescimento significativo nos casos de violência política no país.
Estratégias para o combate ao crime e a valorização policial
Para combater eficazmente o crime organizado, a agenda propõe o fortalecimento da integração e cooperação entre diversas instituições, como a Receita Federal, Polícia Federal, Banco Central, Ministério Público e as polícias estaduais. A colaboração internacional também é vista como essencial para desenvolver estratégias conjuntas contra a lavagem de dinheiro e os mercados ilícitos. Acesse o documento completo para mais detalhes.
Outra medida crucial é o reordenamento da ação policial, priorizando investigações aprofundadas, investimentos em inteligência e o fortalecimento das perícias. O objetivo é asfixiar as organizações criminosas em suas bases financeiras e de comando. O Sou da Paz defende que operações de incursão territorial devem ser consideradas excepcionais, realizadas apenas sob condições de segurança reais para a população e para os próprios policiais, garantindo uma abordagem mais estratégica e menos confrontacional.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
