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Soberania africana e integração: líderes debatem estratégias contra o terrorismo no Fórum de Dacar

BeeNews 20/04/2026 | 19:58 | Brasília
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A busca por paz, estabilidade e segurança no continente africano passa, necessariamente, pela soberania e integração entre seus países. Essa foi a tônica do 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, realizado em 20 e 21 de novembro de 2026 na capital senegalesa. O evento reuniu líderes e especialistas para discutir caminhos sustentáveis para a região, enfrentando desafios como a crescente ameaça terrorista e a necessidade de investimentos estratégicos na população jovem.

A edição de 2026 do fórum, uma iniciativa do governo do Senegal desde 2014, destacou a importância de uma agenda de segurança definida internamente e o controle sobre os recursos naturais do continente. A presença de representantes de 38 países, incluindo 18 nações africanas e observadores como o Brasil, sublinhou a relevância global das discussões sobre o futuro da África.

A Defesa da Soberania Africana em Dacar

Na sessão de abertura, o presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, enfatizou que o mundo contemporâneo enfrenta múltiplas crises, desde fraturas comerciais entre grandes potências até problemas climáticos. Segundo ele, a África, longe de estar imune, sofre intensamente com esses efeitos e ainda lida com conflitos armados e o terrorismo.

Diomaye Faye fez um apelo contundente pela soberania africana, especialmente diante de uma plateia que incluía representantes de países com histórico colonial, como Alemanha, Espanha, Portugal e França. O presidente senegalês declarou que a agenda de segurança do continente não pode mais ser ditada por forças externas, nem seu espaço estratégico ocupado sem consentimento.

A soberania, para Faye, estende-se também ao controle e exploração dos recursos naturais, como urânio, petróleo e gás, recentemente descobertos no Senegal. Ele defendeu que esses recursos devem ser extraídos, transformados e comercializados a preços justos dentro do próprio continente, impulsionando uma transformação estrutural e econômica genuína.

Desafios do Terrorismo no Sahel e a Necessidade de Integração

Um dos pontos centrais do discurso de Bassirou Diomaye Faye foi a ameaça do terrorismo, que tem assolado a região do Sahel. Desde meados da década de 2010, grupos terroristas ligados ao Estado Islâmico e à Al-Qaeda têm expandido sua atuação em direção aos países do Golfo da Guiné, na costa do Oceano Atlântico.

O Índice de Terrorismo Global de 2026, elaborado pelo Instituto para Economia e Paz, aponta o Sahel como o epicentro do terrorismo mundial, respondendo por mais da metade das mortes por terrorismo global em 2025. A região, composta por dez países, tem Mali, Burkina Faso e Níger como os mais afetados, com cerca de 4,5 mil atentados e 17 mil mortes nas últimas duas décadas.

Essas nações enfrentam intensa instabilidade política, com múltiplos golpes militares na última década, e lidam com grupos insurgentes em áreas de fronteira. A falta de coordenação de segurança nas fronteiras é uma estratégia-chave explorada pelos jihadistas. Faye defendeu uma resposta multidimensional, que inclua ação militar, controle eficaz de fronteiras, troca de informações e operações conjuntas entre as forças de defesa e segurança dos países africanos, ressaltando que a segurança de um país no Sahel impacta diretamente seus vizinhos.

Investimento na Juventude como Pilar da Segurança

O presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, trouxe uma perspectiva crucial ao relacionar os problemas de segurança na África com a falha de representação estatal. Ele argumentou que muitos jovens são recrutados por grupos violentos devido à ausência de alternativas oferecidas pelas instituições.

Para Bio, investir na juventude não é apenas uma política social, mas uma estratégia fundamental de segurança nacional. Ele destacou que o extremismo e o crime organizado prosperam nas lacunas de governança e no crescente distanciamento entre cidadãos e o Estado, explorando o desespero onde ele se manifesta.

O Fórum Internacional de Dacar, em sua décima edição, reafirma-se como um palco vital para a discussão de soluções sustentáveis para os desafios africanos. O tema deste ano, “África enfrenta os desafios da estabilidade, integração e soberania: Quais soluções sustentáveis?”, convida a uma reflexão profunda sobre a solidariedade necessária para transformar o continente em um espaço pacífico, integrado, soberano e próspero.

A presença de chefes de Estado, representantes de organismos internacionais e especialistas demonstra o compromisso em buscar respostas conjuntas para questões complexas. O diálogo promovido pelo fórum é essencial para que a África possa definir seu próprio destino, superando as ameaças internas e externas e construindo um futuro de maior autonomia e segurança. Para mais informações sobre o contexto do terrorismo global, consulte o Índice de Terrorismo Global.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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