A revista britânica The Economist dedicou um editorial e três reportagens a um fenômeno crescente que denomina “socialismo feito para o TikTok”. Segundo a publicação, este movimento, embora assuma formas distintas em cada país, é impulsionado por discursos de políticos já estabelecidos e tem a Geração Z como sua principal protagonista. Mais do que uma busca por igualdade e bem-estar universal, a Economist sugere que o movimento visa salvaguardar interesses específicos de seus apoiadores, frequentemente à custa de grandes fortunas e corporações.
A análise da revista aponta para uma série de características que definem este novo socialismo, destacando a simplicidade e o apelo imediato de suas soluções, mesmo que consideradas ingênuas ou impraticáveis. Propostas como corte de contas, transporte público gratuito e proteção de empregos ressoam fortemente entre os jovens, encontrando terreno fértil nas campanhas de políticos populistas que veem nessa retórica uma oportunidade para angariar apoio eleitoral.
A Ascensão do Socialismo da Geração Z e Suas Demandas
O socialismo da Geração Z, conforme descrito pela The Economist, manifesta-se através de demandas que buscam alívio imediato para as preocupações cotidianas. Exemplos incluem o congelamento de aluguéis, como prometido pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, ou as propostas de líderes como Avi Lewis no Canadá e Jean-Luc Mélenchon na França, que, apesar da idade, mantêm forte apelo entre os eleitores mais jovens. Partidos de esquerda na Inglaterra e na Alemanha, como o Green Party e o Die Linke, também têm capitalizado sobre propostas semelhantes.
A insatisfação que alimenta este movimento é multifacetada. Dados citados pela publicação indicam que americanos, franceses e britânicos expressam crescente descontentamento com a elevada carga tributária, ao mesmo tempo em que a aprovação dos gastos públicos diminui. A tecnologia e a inteligência artificial (IA) também são alvos de críticas, com a percepção de que investimentos em data centers elevarão custos de energia e água. Além disso, mais de 60% dos americanos, britânicos e canadenses demonstram nervosismo em relação à IA, superando a média global de 50%.
Críticas ao Capitalismo e o Medo da Inteligência Artificial
Para a Geração Z socialista, o capitalismo atual já é visto como problemático, e a economia impulsionada pela IA é percebida como ainda mais preocupante. Entre os jovens americanos, 59% temem que a tecnologia ameace seus empregos, intensificando a busca por alternativas econômicas. Contudo, apesar da visibilidade do movimento, o número de eleitores que se identificam como socialistas tem diminuído nos Estados Unidos, caindo de um pico de 5% entre 2018 e 2021 para 3,4%.
Essa tendência não implica necessariamente uma migração para posições conservadoras, mas sim um afastamento das disputas ideológicas tradicionais. Pesquisas da Universidade Harvard revelam uma queda no apoio ao capitalismo, ao socialismo democrático e ao socialismo entre 2018 e 2025. Isso sugere que as pessoas estão menos preocupadas com rótulos ideológicos e mais focadas em soluções práticas para reduzir seus custos de vida e aumentar sua renda, um cenário que favorece narrativas de conflito entre ricos e o restante da sociedade.
A Estratégia dos Novos Socialistas e a Visão da Economist
Nesse contexto, teorias que exploram a dicotomia entre ricos e pobres ganham destaque. Autores como o antropólogo Jason Hickel e o filósofo Kohei Saito são citados pela The Economist por defenderem que o crescimento econômico pode ser socialmente destrutivo, forçando as pessoas a trabalhar excessivamente. Em resposta a essas percepções, os líderes do socialismo da Geração Z têm reorientado suas pautas.
Eles deixam em segundo plano questões progressistas tradicionalmente associadas à esquerda, como racismo estrutural, ESG e mudanças climáticas, para priorizar o custo de vida e a segurança dos empregos, especialmente diante do avanço da inteligência artificial. Seus representantes defendem medidas que ofereçam alívio imediato aos eleitores, em detrimento de projetos de investimento de longo prazo com retornos incertos. Diferentemente de gerações anteriores, o foco recai na tributação dos muito ricos e na busca por eficiência nos gastos públicos, em vez de um sistema amplo de tributação para financiar benefícios universais.
Liberalismo Econômico: Uma Defesa Necessária
A The Economist, no entanto, contesta veementemente essas teses. A revista argumenta que medidas como o controle de aluguéis desestimulam investimentos no setor imobiliário, tornando a moradia mais cara a médio e longo prazo. Em relação à tributação dos mais ricos, a publicação aponta que eles representam uma parcela pequena da população e podem facilmente transferir sua residência fiscal para países com regimes mais favoráveis, diminuindo a arrecadação esperada.
A revista britânica rejeita a ideia de que o liberalismo econômico esteja fadado ao fracasso político, mesmo em um ambiente aparentemente favorável ao socialismo da Geração Z. A Economist defende que muitos dos problemas que motivam os jovens socialistas, como os aluguéis altos, são, na verdade, resultado de mercados insuficientemente livres, e não de um excesso de liberdade. A publicação conclui que ainda há tempo para o liberalismo demonstrar sua eficácia e vencer o debate, apresentando uma defesa robusta das ideias que historicamente contribuíram para a geração de riqueza em escala sem precedentes. Para mais informações sobre análises econômicas globais, visite The Economist.
Fonte: gazetadopovo.com.br
