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Nova tarifa dos EUA de 12,5% ameaça produtos brasileiros por falhas no combate ao trabalho forçado

BeeNews 03/06/2026 | 01:24 | Brasília
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O governo dos Estados Unidos, por meio do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), anunciou uma nova proposta de tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A medida é justificada por alegadas falhas do Brasil e de outros países no combate à entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado no mercado americano. Esta iniciativa se soma a uma proposta anterior de 25% sobre bens brasileiros, elevando a preocupação com o impacto no comércio bilateral.

A decisão surge após a conclusão de mais uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento frequentemente utilizado pela administração para abordar práticas comerciais consideradas desleais. A acumulação dessas propostas tarifárias pode resultar em uma carga tributária significativa para exportadores brasileiros, afetando diversos setores da economia nacional.

A nova proposta e as justificativas dos Estados Unidos

A investigação mais recente do USTR envolveu 60 países, que, segundo o órgão, representam cerca de 99,4% das importações americanas e falharam em diferentes níveis no combate à importação de produtos ligados ao trabalho forçado. O Brasil foi incluído em um grupo de nações que não adotam ou não aplicam de forma efetiva mecanismos para impedir a entrada desses bens.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, enfatizou que a falha de parceiros comerciais importantes em combater a importação de bens produzidos com trabalho forçado é inaceitável. Ele argumenta que essa situação cria uma dinâmica de concorrência desigual para os trabalhadores americanos, que são obrigados a competir globalmente com produtos de custos artificialmente menores.

Enquanto alguns países que já possuem mecanismos de restrição ou assumiram compromissos formais com os EUA receberam uma proposta de tarifa de 10%, o Brasil foi enquadrado na taxa de 12,5%. Essa diferenciação reflete a avaliação do USTR sobre a efetividade das políticas brasileiras na área. Outras nações como Argentina, Austrália, China, Chile, Colômbia, Índia, Israel, Japão, Reino Unido, Coreia do Sul, Venezuela e Vietnã também figuram na lista de alvos desta nova investigação.

O impacto potencial das tarifas cumulativas

Caso as duas propostas de tarifa – a de 25% (anunciada anteriormente por outras razões) e esta nova de 12,5% – sejam aprovadas e aplicadas cumulativamente, os exportadores brasileiros poderão enfrentar uma carga tarifária superior a 37% em parte dos produtos vendidos aos Estados Unidos. Esse cenário representa um desafio considerável para a competitividade dos bens brasileiros no mercado americano.

Os setores potencialmente mais afetados por essa elevação tarifária seriam os de manufaturados, bens industriais, máquinas e equipamentos, produtos químicos, plásticos, autopeças, calçados e têxteis, entre outros itens que não estejam nas listas de exceções do USTR. A imposição dessas tarifas pode levar a uma reavaliação das estratégias de exportação e a um impacto significativo nas cadeias de suprimentos.

Reações políticas e o processo de decisão

A proposta de novas tarifas gerou reações no cenário político brasileiro. O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, enviou uma carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, solicitando que o governo americano não aplique as novas tarifas sobre os produtos brasileiros. Em contrapartida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a iniciativa de Flávio, acusando-o de atuar politicamente pela taxação e afirmando que a medida prejudicaria o povo, empresários e o agronegócio nacional.

Antes de uma decisão final, a nova proposta de tarifa será submetida a uma audiência pública, agendada para o dia 7 de julho em Washington. Somente após essa etapa, o governo americano deverá decidir se aplica, altera ou abandona a tarifa de 12,5%. Este processo de consulta pública é um passo padrão em investigações da Seção 301, permitindo que partes interessadas apresentem seus argumentos.

O contexto das investigações da Seção 301

As investigações dos EUA com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 contra o Brasil foram determinadas pelo governo Trump. A primeira investigação teve início em julho do ano passado, resultando na proposta da tarifa de 25%. A segunda, que culminou na atual proposta de 12,5%, começou em março deste ano.

A Seção 301 permite que o USTR investigue e tome ações contra práticas comerciais estrangeiras que considera injustas ou discriminatórias e que afetam o comércio dos EUA. Historicamente, essa seção tem sido um instrumento poderoso na política comercial americana, frequentemente utilizado para pressionar países a alterarem suas políticas. Para mais informações sobre o USTR, visite o site oficial.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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