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Tragédia de mergulho nas Maldivas: cinco italianos e um militar morrem em operação de resgate

BeeNews 17/05/2026 | 19:05 | Brasília (Atualizado 17/05/2026 às 19:06)
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As Maldivas foram palco de uma grave tragédia que resultou na morte de cinco mergulhadores italianos e, posteriormente, de um sargento da Marinha local durante a complexa operação de resgate. O incidente, ocorrido na última quinta-feira (14), é classificado pelas autoridades como o pior acidente de mergulho na história do arquipélago, levantando sérias questões sobre os limites de segurança e a supervisão em atividades subaquáticas de alto risco.

O caso ganhou repercussão internacional não apenas pela perda das vidas dos turistas, mas também pela fatalidade adicional de um membro da equipe de salvamento, que sucumbiu a complicações decorrentes da missão. As investigações estão em andamento para esclarecer as circunstâncias que levaram a este trágico desfecho.

Mergulho fatal em caverna submarina no atol Vaavu

O grupo de cinco italianos desapareceu após realizar um mergulho em uma caverna submarina no atol Vaavu, próximo à ilha de Alimathaa, a cerca de 100 quilômetros ao sul da capital Malé. Segundo as investigações preliminares, os mergulhadores desceram a aproximadamente 50 metros de profundidade, quase o dobro do limite recreativo de 30 metros permitido pelas autoridades locais. Essa profundidade exige treinamento e equipamentos específicos para mergulho técnico, que, conforme a operadora, não havia sido autorizado.

O desaparecimento ocorreu no canal Devana Kandu, um conhecido ponto de mergulho, onde o grupo explorava um sistema de cavernas submersas formado por três grandes câmaras conectadas por passagens estreitas. A embarcação de hospedagem, o liveaboard MV Duke of York, de onde os mergulhadores partiram, não havia solicitado a autorização especial necessária para mergulhos além dos 30 metros. Apenas o corpo do instrutor de mergulho Gianluca Benedetti foi recuperado inicialmente, a cerca de 60 metros de profundidade, próximo à entrada da caverna.

Identidade das vítimas e o contexto da missão científica

As vítimas italianas foram identificadas como Monica Montefalcone, professora associada de ecologia marinha da Universidade de Gênova; sua filha Giorgia Sommacal, estudante de engenharia biomédica; Muriel Oddenino, pesquisadora; Federico Gualtieri, biólogo marinho recém-graduado; e Gianluca Benedetti, o instrutor de mergulho. Quatro dos corpos permanecem desaparecidos no interior do sistema de cavernas submarinas.

Monica Montefalcone e Muriel Oddenino estavam nas Maldivas em uma missão científica oficial da Universidade de Gênova, focada no monitoramento de ambientes marinhos e no estudo dos efeitos das mudanças climáticas. A universidade esclareceu que o mergulho fatal não fazia parte da pesquisa planejada, sendo uma atividade realizada de forma privada. Carlo Sommacal, marido de Montefalcone e pai de Giorgia, descreveu-a como uma “mergulhadora disciplinada”, sugerindo que “algo deve ter acontecido lá embaixo” para justificar a tragédia, e lembrou que ela havia sobrevivido ao tsunami de 2004.

Operação de resgate de alto risco e uma nova fatalidade

A operação de resgate dos corpos foi classificada como de “altíssimo risco” pelas autoridades locais. Dois dias após o desaparecimento dos italianos, no sábado (16), o sargento-mor Mohamed Mahudhee, das Forças de Defesa Nacional das Maldivas (MNDF), que participava da missão, morreu após passar mal. Ele foi levado a um hospital em Malé após apresentar sinais de doença descompressiva, uma condição grave provocada pela formação de bolhas de gás na corrente sanguínea durante a subida após mergulhos em grandes profundidades.

Mahudhee havia participado da apresentação do plano de busca ao presidente das Maldivas, Mohamed Muizzu, e foi sepultado com honras militares em uma cerimônia acompanhada pelo próprio presidente. Após sua morte, as buscas foram temporariamente suspensas e só foram retomadas com a chegada de equipes internacionais especializadas em mergulho profundo e em cavernas.

Investigação e medidas das autoridades

Diante da repercussão internacional do caso e da morte do militar, o Ministério do Turismo e Aviação Civil das Maldivas suspendeu indefinidamente a licença operacional do MV Duke of York, a embarcação de onde os mergulhadores partiram. A medida permanecerá em vigor enquanto durar a investigação sobre o caso. A operadora italiana Albatros Top Boat, responsável pela comercialização do liveaboard, negou ter autorizado ou tido conhecimento do mergulho que excedeu os limites de profundidade, afirmando que “jamais teria permitido uma operação desse tipo”.

Uma investigação oficial foi aberta para esclarecer as circunstâncias que levaram o grupo a ultrapassar o limite de 30 metros sem autorização. As autoridades enfatizam a periculosidade da caverna, que é tão profunda que “mergulhadores, mesmo com o melhor equipamento, não tentam se aproximar”. As Maldivas solicitaram reforço internacional, e três mergulhadores finlandeses com experiência em mergulhos profundos e em cavernas desembarcaram no arquipélago no domingo (17) para auxiliar na recuperação dos corpos restantes. O Ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, garantiu que “tudo o que for possível” será feito para repatriar as vítimas. Para mais informações sobre segurança em atividades subaquáticas, consulte fontes especializadas como a Professional Association of Diving Instructors (PADI).

Fonte: gazetadopovo.com.br

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