Marcelo Garcia/Palácio de Miraflores/EFE

Alegações de interferência: Trump teria evitado investigação sobre figura venezuelana

BeeNews 28/05/2026 | 08:57 | Brasília
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Uma reportagem divulgada pela Associated Press nesta quarta-feira (27) revelou que o governo do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria instruído procuradores do Departamento de Justiça (DOJ) em Miami a não prosseguirem com investigações criminais contra a ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. A alegação aponta para uma diretriz que visava evitar potenciais complicações nos esforços diplomáticos da administração Trump para estabilizar a nação sul-americana.

Em resposta à agência americana, o Departamento de Justiça negou veementemente a existência de tal investigação, afirmando que “nunca houve uma investigação contra ela para ser encerrada”. Contudo, a Associated Press sustenta sua reportagem com base em registros da Administração de Combate às Drogas dos EUA (DEA), que indicam que Rodríguez estava sob o radar das autoridades federais americanas desde pelo menos 2018, embora nunca tenha sido formalmente acusada criminalmente nos Estados Unidos.

As Alegações e o Contexto da Não Investigação

A reportagem da Associated Press detalha que fontes internas do governo americano, que preferiram manter o anonimato, confirmaram a existência da diretiva. Segundo essas fontes, a ordem para suspender qualquer investigação contra Delcy Rodríguez tinha como objetivo principal não prejudicar as iniciativas do governo Trump para promover a estabilização da Venezuela. Um ex-funcionário, citado pela agência, afirmou categoricamente: “Todos receberam ordens para se manterem afastados”.

Essa suposta interferência nas investigações criminais levanta questões sobre a priorização de objetivos políticos e diplomáticos em detrimento de processos judiciais. A decisão, se confirmada, reflete uma complexa teia de interesses geopolíticos e a busca por uma nova abordagem na relação com o regime venezuelano, especialmente após eventos cruciais que redefiniram o panorama político da região.

Histórico de Monitoramento e Sanções

O monitoramento de Delcy Rodríguez pelas autoridades federais americanas, evidenciado pelos registros da DEA desde 2018, sublinha a percepção de sua relevância no cenário político venezuelano e sua possível ligação com atividades ilícitas. Apesar de nunca ter sido acusada criminalmente nos EUA, sua presença na lista de sanções econômicas do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA desde o mesmo ano reforça essa percepção.

As sanções do OFAC, impostas devido a acusações de corrupção e violações de direitos humanos, representavam uma pressão significativa sobre o regime chavista e seus membros. No entanto, em um movimento que surpreendeu muitos observadores, o OFAC retirou o nome de Rodríguez dessa lista no início de abril, sinalizando uma mudança substancial na postura americana em relação a ela e ao governo venezuelano.

A Virada na Política Externa Americana

A suposta diretriz para evitar investigações e a subsequente remoção de sanções se inserem em um contexto de profunda redefinição da política externa dos EUA em relação à Venezuela. Essa virada estratégica ocorreu após a ditadora interina Delcy Rodríguez assumir o poder no início de janeiro, sucedendo a Nicolás Maduro. A transição foi precedida por uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas que culminou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, para que enfrentassem acusações de narcoterrorismo na Justiça federal americana.

Desde então, o regime chavista tem demonstrado uma aproximação notável com os Estados Unidos. Essa nova fase incluiu o restabelecimento de relações diplomáticas e a formação de uma parceria de longo prazo na área de energia, indicando um pragmatismo crescente de ambos os lados. O próprio presidente Trump chegou a elogiar a nova liderança venezuelana, optando por não apoiar a líder oposicionista María Corina Machado, sob a justificativa de que ela não possuía o apoio necessário dentro do país.

Implicações e o Cenário Pós-Maduro

A mudança na abordagem americana, que inclui a suposta suspensão de investigações e a retirada de sanções contra figuras proeminentes do regime, tem amplas implicações para a estabilidade política da Venezuela e para as relações internacionais na região. A busca por uma estabilização, mesmo que por meio de concessões diplomáticas, parece ter se tornado uma prioridade para Washington no cenário pós-captura de Maduro.

Este novo capítulo nas relações entre EUA e Venezuela, marcado por uma complexa interação entre diplomacia, sanções e alegadas interferências em processos judiciais, continua a ser observado de perto por analistas e pela comunidade internacional. A dinâmica em evolução sugere uma reconfiguração das alianças e prioridades, com o futuro da Venezuela e de sua liderança no centro das atenções.

Para mais detalhes sobre a reportagem original, consulte a Associated Press.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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